Operação Marquês Lava Jato

sócrates lula

O caso lula parece decalcado do de Sócrates. Não ponho as minhas mãos no fogo por nenhum deles, mas não deixa de ser estranho as seguintes coincidências:

  1. Prisão para ser levado a interrogatório, com a presença de jornalistas e sem tentativa prévia de notificação para deslocação voluntária ao tribunal. É estranho porque ofende o princípio da presunção de inocência.
  1. Lógica geral da investigação baseia-se no ditado popular “Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem”, isto é, considerar que o nível de vida do suspeito não é compatível com os seus rendimentos legais. É estranho porque viola o princípio do ónus da prova. Além de que “vida faustosa” é a do indivíduo que compra carros e casas de luxo e dá festas de arromba pagando tudo da sua conta bancária ou com o dinheiro que tira do seu bolso, como fazem os barões da droga.
  1. Considerar que a utilização de casa de luxo é indício de que essa casa lhe pertence, embora legalmente pertença a outra pessoa ou empresa. É estranho porque pressupõe que alguém pode ser proprietário legal de uma propriedade de registo obrigatório sem que essa propriedade esteja registada em seu nome (ou em nome de uma organização por si legalmente controlada).
  1. Alguém dentro do tribunal envia conteúdo de escutas para a comunicação social de grande circulação (podia ser para o jornal do Fundão !), as quais divulgam exaustivamente as mesmas dando-lhe significado jurídico não extraído do processo. É estranho porque o tribunal é o fiel depositário das peças processuais em segredo de justiça e o segredo de justiça serve para proteger o suspeito e a investigação. A quebra do segredo de justiça é um entrave à descoberta da verdade. É, portanto obstrução à Justiça. Muito estranho!

Estes 4 factos estão presentes nos dois processos. Só parece faltar uma suspeita, também bizarra, que existe no processo português e ainda não foi referido no brasileiro; é o de considerar o dinheiro depositado na conta de um amigo do suspeito como sendo dinheiro REALMENTE pertencente ao suspeito (Sócrates), isto na situação de o suspeito não ter autorização para levantar, transferir, ou efetuar pagamentos com esse dinheiro.

O meu receio é de que qualquer dia um juiz me acuse de ter roubado uma fortuna e que, por isso, sou proprietário de uma vivenda de luxo que está no nome de um “amigo meu”…

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