Violência Doméstica 2

violencia-domestica-algemsa1

Continuação – 2

Quando Maria e Manuel regressaram a casa, vindos do hospital, estavam os dois “de trombas”. Não se falaram. Ela foi ao frigorífico confirmar que não havia lá nada para comer, e resolveu ir fazer esparguete com atum de conserva para o jantar. Estava sóbria e sentia um não-sei-quê de necessidade de um copo. Só tinha uma garrafa de Porta da Ravessa. Foi isso que pôs na mesa, jurando a si própria que não ia beber nenhum copo antes de comer qualquer coisa.

O “marido” estava no sofá a ler o Correio da Madrugada como sempre fazia antes do jantar, e olhou com interesse para a garrafa hirta encima da mesa, mas não se levantou.

Maria interpretou o aparente desinteresse dele pelo vinho como um presságio de que ia haver reconciliação. Não disse nada.

Quando o jantar já fumegava sobre a mesa sentaram-se frente a frente e ele deixou escorregar um “bom apetite, môr”.

De olhos postos no prato, ela começou a choramingar e a comer, mas em breve o choro virou pranto e o homem ficou sem saber o que fazer, e disse “eu queria pedir-te desculpa, mas não deu…”, ao que ela respondeu “eu sei, estávamos os dois com o grão na asa!” “por isso acho que não devíamos tocar nessa garrafa até irmos ao tribunal. Eles vão chamar-nos”. “Ok”, foi a resposta, e lançaram-se nos braços um do outro, mesmo antes de acabarem com o pitéu.

No dia seguinte, bingo (!), uma campainhada logo às nove da manhã. Maria foi abrir a porta. Era uma senhora com ar de educadora infantil, que perguntou se era ali que moravam Manuel e Maria, – “claro que somos nós, não está a ver?”.

– O meu nome á Sílvia, sou Assistente Social. Vim cá a mando do tribunal para termos uma pequena conversa sobre o que aconteceu ontem, e venho avisar que devem comparecer lá ainda hoje, pelas 15 horas. Entregou-lhe dois postais.

– “Nós dispensamos a conversa. Quanto à ida pode estar descansada que vamos lá hoje” respondeu Maria fechando devagar a porta.

– “Ouvi tudo” disse Manuel, “bem respondido!”.

Depois de almoçarem cada um uma sandocha de fiambre e uma mini. Chegaram a horas a Oeiras mas entraram separados no tribunal. Ainda bem que assim foi, pois as salas que lhes estavam destinadas eram distintas. Na que coube a Maria estava uma jovem com ar sério que se apresentou como advogada oficiosa, que assistiria a vítima naquele caso de violência doméstica (VD).

Maria pensou “então a vítima sou eu, já está tudo decidido…”, mas não disse nada.

Cláudia, assim se chamava a advogada, começou a debitar aquilo que parecia ser o conteúdo de uma cassete para aquelas circunstâncias; que a VD era uma chaga social, que os homens eram os principais culpados (é da testosterona, sabe?), que felizmente a sociedade estava a caminho de defender cabalmente as mulheres.

Maria interrompeu; “mas eu também lhe bati”.

Aí a advogada esbugalhou os olhos e disse levantando a voz; “nem pense em dizer isso ao juiz! Se ele perguntar diga que não se lembra, que estava muito perturbada! Olhe que se o juiz decretar separação de corpos você tem direito à casa. Quer ir morar para a rua?”

Maria interrompeu de novo; “mas a casa é dele. O arrendamento está no nome dele”.

“Tudo há-de arranjar-se. É para isso que aqui estou. Só faltava que uma mulher fosse agredida por um homem a ainda constasse era ela a culpada!” respondeu Cláudia.

“Fixe bem isto”, continuou ela, “quando uma mulher é agredida por um homem o culpado é sempre ele. Não é por acaso que as mulheres só querem casar com homens mais altos e fortes que elas. É para serem protegidas e não para serem agredidas…”.

Na sala ao lado Manuel debatia-se com diálogo semelhante, mas com uma cassete diferente. Os homens têm que ter muito cuidado a lidar com pessoas de família. Quando há pancadaria os homens são sempre os culpados. Até nas arábias é assim, e nas mesquitas há cursos sobre a forma de bater nas mulheres sem deixar marcas, mas magoando muito! Eles é que a sabem toda!

“Livre-se, Manuel, de se desculpar dizendo que ela lhe bateu”, disse o advogado. “Além de ser ridículo o juiz vai logo fazer cara de coitadinho-com-um corpo-daqueles-leva porrada-da-mulher!”. Palavras do advogado. “Diga que estava muito nervoso e que não se lembra de nada. Eu estou aqui para defendê-lo!”.

A porta abriu-se e Maria entrou na sala de audiências.

Violência doméstica 1

violencia-domestica-algemsa1

Uma senhora toda bem posta apresenta-se na urgência do Hospital Egas Moniz para ser assistida.

Na triagem afirma somente que a causa de ter um olho negro, arranhões na cara e nódoas negas nas pernas foi ter sofrido uma agressão.

Após curativo é instada a prestar declarações no escritório da PSP anexo à receção do Hospital.

– Senhor Polícia, o meu nome é Maria. Foi no trânsito. Dei um “toque” com o meu carro no carro de um senhor, e quando saímos para analisar os estragos, ele desconfiou que eu não tinha seguro e pediu-me a apólice, com maus modos; “abre lá a carteira, minha galdéria”. Eu não gostei, e respondi-lhe “a carteira é minha, só abro se quiser”. Aí ele partiu para a violência e deixou-me no estado que o Sr. Polícia vê.

– A senhora deseja apresentar queixa contra esse homem?

– Não. Gajos desses encontro eu todos os dias. Não vale a pena.

 

Minutos depois entra no gabinete da polícia um homem. Já tinha as escoriações tratadas.

O meu nome é Manuel, senhor polícia, foi no trânsito. Uma senhora atirou o carro para cima do meu e ainda por cima não tinha seguro… Quando lhe pedi para me mostrar a apólice. Virou fera. Disse-me “isto não é a mala da galdéria da tua mãe” e desatou aos pontapés e murros comigo. Deixou-me neste estado.

– O senhor deseja apresentar queixa contra essa mulher?

– Não. Gajas dessas encontro eu todos os dias. Não vale a pena.

Minutos depois entra no gabinete da polícia uma mulher de meia-idade envergando ainda o avental da cozinha. Estava afogueada da correria!

O meu nome é Adelaide, Senhor polícia, eles matam-se! Sou vizinha de um casal, enfim… não são casados, vivem há uns cinco anos, mas de há três meses para cá ficaram desempregados e metem-se nos copos. A Maria foi a casa dos pais pedir dinheiro emprestado e quando chegou ele queria tirar-lho. Eu bem ouvi ele dizer “abre lá a carteira, minha galdéria”. Ela respondeu “a carteira é minha, só abro se quiser, isto não é a carteira da galdéria da tua mãe”. Aí começaram à pancada um ao outro. Ela segurava a mala no sovaco esquerdo e dava-lhe murros na cara e pontapés nas canelas, ele esmurrava-a e puxava pela mala. Foi quando ela lhe deu um pontapé nas “partes” que ele caiu e ela fugiu de casa. Eu bem vi!

– A senhora não necessita apresentar queixa, disse o polícia. Trata-se de uma ocorrência de Violência Doméstica, que configura crime público. É o delegado do Ministério Público que deve fazer a queixa. Pode ir-se embora.

Ao fim do dia entra na mesma sala o Ambrósio, jornalista do Correio da Madrugada, e dirige-se ao polícia: Fagundes, que petisco vais arranjar-me para hoje?

Que te interesse, só tenho uma ocorrência de um gajo que desancou a mulher. Isto é, a gaja que com ele vivia.

És um amor, Fagundes. No Natal não me vou esquecer de ti.

Assim, o Correio da Madrugada do dia seguinte apresentava na página “Nacional” a seguinte notícia: “Homem agride barbaramente a namorada para lhe roubar 100 euros”. Em sub-título podia ler-se “O agressor não conseguiu consumar seus intentos graças a uma vizinha que acudiu aos gritos da vítima”.

Dois dias depois,  um jovem advogado estava sentado no gabinete que lhe tinham reservado no Tribunal de Oeiras. Lia enfastiado o relatório do polícia Fagundes e dizia para consigo: “Só me saem duques e cenas tristes!. Andaram os meus pais a fazer sacrifícios para dar um curso superior a um filho e depois ele só arranja estágios da treta! “.

Depois de ler tudo, deu um bocejo e produziu o seguinte despacho: “Convoque-se Manuel e Maria a comparecerem neste tribunal acompanhados do relatório do médico que observou a Maria”.

E, virando-se para o escrivão que vegetava na secretária ao lado: “Já viste no Correio da Madrugada de ontem aquele caso de Violência Doméstica de Algés? Estes jornalistas sabem tudo muito antes de nós!”.

Agora sou eu e não eles quem fala:

Todo o Discurso Politicamente Correto (DPC) é a expressão de um mito. São os média de hoje os principais responsáveis pela criação de mitos e, pior, os responsáveis pela sua alimentação, fazendo evoluir os mitos no sentido que mais lhes interessa. Dizendo de outra forma; os média deixaram de ser órgão informativos para serem órgão sociais de formação da opinião pública.

Por isso não é de estranhar que exista um grupo muito significativo e não contestado de pessoas normais e mediáticas, políticas e judiciárias, de esquerda, de direita, etc. que estão totalmente de acordo com a atribuição ao homem da violência enquanto característica de género. E acham que essa opinião não entra em conflito com a militância de alguns pela igualdade dos sexos.

Para mim não existe género quando se fala de pessoas. O que existe são pessoas do sexo masculino e pessoas do sexo feminino. (e existem uns assim-assim, mas isso é outra conversa!).

(continua)

 

A sorte bafeja os audazes…

3 melrinhosA pesar de haver obras junto ao ninho, com máquinas a trabalhar e todo o tipo de batuques, um casal de melros audacioso fez ninho a 1,5 metros do chão, na sebe da frente da minha casa!


Eu disse para comigo: insensatos! se escaparem aos gatos que por aqui andam não escapam aos operários! (gente ruim, por vezes).
 
Mas não. Puseram 3 ovos e nasceram 3 filhos, que até já têm penas!
 
Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo!

Vem aí a Taxa de Senilidade…

Está inscrita no programa do Partido Conservador Inglês, de Theresa May, em discussão por estes dias na campanha eleitoral para as legislativas do Reino Unido.

Basicamente funciona assidososim: Quando um idoso necessita de apoio da Segurança Social (domiciliário ou num Lar) e ultrapassa em gastas um valor limite determinado (100.000 libras, por exemplo), passa a ser taxado em determinada percentagem. Isto é, o apoio que receber a partir da data em que atingiu o plafond é mais baixo. Passa a receber menos.

Na prática recebe o mesmo, mas fica a dever à Segurança Social a diferença. Depois de morrer a sua casa e outros bens que detenha são arrestados até ao montante da dívida assim contraída.

Os herdeiros que se cuidem…

Razão tinha eu quando me preocupei com esta reunião:

https://toufeito.wordpress.com/2017/05/21/posso-matar-me/

Está tudo explicado aqui:

https://www.theguardian.com/society/2017/may/22/theresa-may-u-turn-on-dementia-tax-cap-social-care-conservative-manifesto

 

Dólar, Petróleo e Acordo de Paris

Donald Trump acaba de anunciar que os EUA saem do Acordo de Paris sobre  a redução de CO2. 

É uma grande tanga que efumo chaminé poluiçãosta decisão tenha sido motivada pela necessidade de criar mais empregos nos EUA, que têm hoje uma taxa de desemprego de 4,8%.

O que os EUA estão a fazer é a proteger o negócio do petróleo, combatendo a tendência mundial de o substituir por outras formas de energia menos poluentes.
É que o dólar é a única moeda em que se negoceia mundialmente a compra de petróleo bruto.
Ficam fora do Acordo de Paris somente Nicarágua, Síria e Estados Unidos da América!

Assim vai o mundo…

O Senhor Gauthier Destenay (2 fila à esquerda), esposo do Senhor Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo, posou no retrato oficial das primeiras-damas que acompanharam os maridos à Cimeira da NATO. Destenay e Bettel, que em 2010 tornaram pública a sua união, casaram em Maio de 2015, antes das eleições que deram a vitória a Bettel.

mulheres de dirigentes