Violência doméstica 1

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Uma senhora toda bem posta apresenta-se na urgência do Hospital Egas Moniz para ser assistida.

Na triagem afirma somente que a causa de ter um olho negro, arranhões na cara e nódoas negas nas pernas foi ter sofrido uma agressão.

Após curativo é instada a prestar declarações no escritório da PSP anexo à receção do Hospital.

– Senhor Polícia, o meu nome é Maria. Foi no trânsito. Dei um “toque” com o meu carro no carro de um senhor, e quando saímos para analisar os estragos, ele desconfiou que eu não tinha seguro e pediu-me a apólice, com maus modos; “abre lá a carteira, minha galdéria”. Eu não gostei, e respondi-lhe “a carteira é minha, só abro se quiser”. Aí ele partiu para a violência e deixou-me no estado que o Sr. Polícia vê.

– A senhora deseja apresentar queixa contra esse homem?

– Não. Gajos desses encontro eu todos os dias. Não vale a pena.

 

Minutos depois entra no gabinete da polícia um homem. Já tinha as escoriações tratadas.

O meu nome é Manuel, senhor polícia, foi no trânsito. Uma senhora atirou o carro para cima do meu e ainda por cima não tinha seguro… Quando lhe pedi para me mostrar a apólice. Virou fera. Disse-me “isto não é a mala da galdéria da tua mãe” e desatou aos pontapés e murros comigo. Deixou-me neste estado.

– O senhor deseja apresentar queixa contra essa mulher?

– Não. Gajas dessas encontro eu todos os dias. Não vale a pena.

Minutos depois entra no gabinete da polícia uma mulher de meia-idade envergando ainda o avental da cozinha. Estava afogueada da correria!

O meu nome é Adelaide, Senhor polícia, eles matam-se! Sou vizinha de um casal, enfim… não são casados, vivem há uns cinco anos, mas de há três meses para cá ficaram desempregados e metem-se nos copos. A Maria foi a casa dos pais pedir dinheiro emprestado e quando chegou ele queria tirar-lho. Eu bem ouvi ele dizer “abre lá a carteira, minha galdéria”. Ela respondeu “a carteira é minha, só abro se quiser, isto não é a carteira da galdéria da tua mãe”. Aí começaram à pancada um ao outro. Ela segurava a mala no sovaco esquerdo e dava-lhe murros na cara e pontapés nas canelas, ele esmurrava-a e puxava pela mala. Foi quando ela lhe deu um pontapé nas “partes” que ele caiu e ela fugiu de casa. Eu bem vi!

– A senhora não necessita apresentar queixa, disse o polícia. Trata-se de uma ocorrência de Violência Doméstica, que configura crime público. É o delegado do Ministério Público que deve fazer a queixa. Pode ir-se embora.

Ao fim do dia entra na mesma sala o Ambrósio, jornalista do Correio da Madrugada, e dirige-se ao polícia: Fagundes, que petisco vais arranjar-me para hoje?

Que te interesse, só tenho uma ocorrência de um gajo que desancou a mulher. Isto é, a gaja que com ele vivia.

És um amor, Fagundes. No Natal não me vou esquecer de ti.

Assim, o Correio da Madrugada do dia seguinte apresentava na página “Nacional” a seguinte notícia: “Homem agride barbaramente a namorada para lhe roubar 100 euros”. Em sub-título podia ler-se “O agressor não conseguiu consumar seus intentos graças a uma vizinha que acudiu aos gritos da vítima”.

Dois dias depois,  um jovem advogado estava sentado no gabinete que lhe tinham reservado no Tribunal de Oeiras. Lia enfastiado o relatório do polícia Fagundes e dizia para consigo: “Só me saem duques e cenas tristes!. Andaram os meus pais a fazer sacrifícios para dar um curso superior a um filho e depois ele só arranja estágios da treta! “.

Depois de ler tudo, deu um bocejo e produziu o seguinte despacho: “Convoque-se Manuel e Maria a comparecerem neste tribunal acompanhados do relatório do médico que observou a Maria”.

E, virando-se para o escrivão que vegetava na secretária ao lado: “Já viste no Correio da Madrugada de ontem aquele caso de Violência Doméstica de Algés? Estes jornalistas sabem tudo muito antes de nós!”.

Agora sou eu e não eles quem fala:

Todo o Discurso Politicamente Correto (DPC) é a expressão de um mito. São os média de hoje os principais responsáveis pela criação de mitos e, pior, os responsáveis pela sua alimentação, fazendo evoluir os mitos no sentido que mais lhes interessa. Dizendo de outra forma; os média deixaram de ser órgão informativos para serem órgão sociais de formação da opinião pública.

Por isso não é de estranhar que exista um grupo muito significativo e não contestado de pessoas normais e mediáticas, políticas e judiciárias, de esquerda, de direita, etc. que estão totalmente de acordo com a atribuição ao homem da violência enquanto característica de género. E acham que essa opinião não entra em conflito com a militância de alguns pela igualdade dos sexos.

Para mim não existe género quando se fala de pessoas. O que existe são pessoas do sexo masculino e pessoas do sexo feminino. (e existem uns assim-assim, mas isso é outra conversa!).

(continua)

 

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