Coração partido…

No próximo coração artificialdia 20 deste mês é o dia mundial do transplante. Vai voltar a falar-se no coração artificial que na realidade não o é; trata-se de um tubo com uma bomba centrífuga que chupa sangue do ventríloco esquerdo para a veia aorta.

Foi efetuado um implante deste “coração artificial” – como pomposamente lhe chamam – em março de 2017, outro em 2018. Há centenas candidatos a este tipo de implantes, mas não há forma de os financiar. Cada tubo+bomba+acessórios custa cerca de 100.000,00€. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a rebentar pelas costuras financeiras por causa, entre outras, do aumento brutal dos preços das sofisticadas máquinas que vão aparecendo no mercado de equipamentos hospitalares, como bisturis a laser, ressonância magnética (só este custa 1 milhão de euros).

Há bem pouco tempo faziam-se transplantes de coração com corações dados por jovens acidentados mortalmente, que “davam” os órgãos a quem necessitasse… Mas os acidentes de automóvel são cada vez menos mortais e os condutores cada vez mais velhos (ninguém quer receber um coração com 50 anos de uso, nem dado!).

A alternativa são os “corações artificiais”.

Por isso, anteontem de manhã o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica do hospital de Santa Marta veio “chorar” ao noticiário das 8, na TSF, pedindo que o SNS estudasse um plano para acorrer às necessidades dos doentes neste contexto. Isto é, arranjasse 100 mil euros, pelo menos, para acudir a cada um dos 50 doentes que hoje esperam em desespero pelo antigo transplante…

Os doentes-tipo a necessitar destes cuidados de saúde têm em média 65 anos. Com o implante podem esperar viver mais 10 anos, se não tiverem outras doenças graves.

O mais correto, penso, seria criar uma empresa portuguesa que fizesse corações artificiais. Podia exportá-los em grandes quantidades para bem da balança de pagamentos com o exterior, e podia fazer um desconto ao SNS…

Ou então fazer-se um crowdfunding para financiar estes casos (caridade anónima!).

2 opiniões sobre “Coração partido…”

  1. Manel, Hoje acordaste mórbido, a pensar em corações artificiais e doenças mortíferas, se fosse possível fabricarmos cá essas maquinetas também outros países o fariam…os laboratórios que criam essas máquinas sofisticadas protegem os seus inventos com patentes…Por mim, acho que o SNS não se deveria preocupar com 50 doentes que não podem ser salvos e sim com os milhares que poderiam salvar-se se não esperassem tanto tempo por uma operação banal.

    toufeito escreveu no dia domingo, 17/03/2019 à(s) 09:57:

    > Manuel Vicente Galvão posted: “No próximo dia 20 deste mês é o dia mundial > do transplante. Vai voltar a falar-se no coração artificial que na > realidade não o é; trata-se de um tubo com uma bomba centrífuga que chupa > sangue do ventríloco esquerdo para a veia aorta. Foi efetuado um impl” >

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