Brexit e passe social

matroNa campanha que precedeu a votação do referendo sobre o abandono da União Europeia (EU) por parte do Reino Unido (RU) o principal argumento a favor da saída foi a alegada vantagem que todos os habitantes do RU passariam a ter quando deixassem de pagar “ao Continente” os milhões que pagam todos os anos. Aparentemente os defensores da permanência não souberam explicar que, em economia, para todos os benefícios existem contrapartidas de sinal contrário. Só mais tarde (hoje) os britânicos estão a perceber o logro em que caíram na referida campanha.

É que a economia de um país não pode ser encarada com sendo semelhante à de um merceeiro ou de uma casa de família. O impacte de uma medida inovadora é quase impossível de prever com rigor num espaço económico com muitas variáveis, quase todas elas ligadas entre si. Mas é possível dar “palpites” relativamente prováveis de ocorrerem.

Os milhões que o Estado Português vai ter que pagar às empresas de transporte, de indemnizações compensatórias, para que o custo dos transportes pagos pelas famílias baixe muito, não são “mais um subsídio que TODOS os portugueses vão suportar”    (acusação da Direita)

É que, o dinheiro que as famílias vão poupar (estima-se em média 100€/mês) não vai ser canalizado para offshores (ironia de Catarina Martins), vai ser aplicado comprando mais coisas, que implica o pagamento de IVA. Isto é, 23% das referidas indemnizações  regressam aos cofres do Estado.

Por outro lado, o facto de ser mais barato fazer as deslocações pendulares para ir trabalhar, vai fazer com que as pessoas desempregadas fiquem com um horizonte mais vasto de oferta de “emprego economicamente aceitável”, isto é, podem ir mais longe para ganhar o mesmo. Baixa o desemprego e baixam os subsídios de desemprego e de inserção social que o Estado estava a pagar, e aumentam as receitas da segurança social que o Estado estava a receber.

As vantagens não quantificáveis são a diminuição da poluição nas cidades, pois é de prever a diminuição da circulação de transportes privados, muito poluentes quando comparados com os públicos.

As desvantagens que se podem antever são a eventual saturação da rede de transportes públicos. Porém esta desvantagem pode ser combatida com a aquisição de material circulante, o qual implica contratação de pessoal que o conduza… Etc.

Na questão do Brexit como na questão do passe social não é fácil prever o que se vai passar. Mas é fácil ser otimista! Esperar que o impacte seja positivo!

(acusação da Direita)

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