“Bots” – o admirável Mundo Novo!

bots

“Bot” (abreviatura de “robot”) é um meme que designa programas informáticos com características de diálogo inteligente com humanos, em ambiente “chat”. São vendidos pelas grandes empresas de software para fazer aquilo que os colaboradores de “Call Centers” fazem hoje.

Conceitos de inteligência artificial fazem com que as respostas do programa às solicitações do utilizador sejam muito semelhantes à que um humano faria se estivesse no lugar da máquina. Por exemplo, no decorrer da conversa são capazes de se lembrar o que o utilizador disse mais atrás e descobrir contradições, ou sugerir novo rumo à conversa. São capazes de perceber se o utilizador é homem ou mulher e se é jovem ou idoso, porque os discursos e a forma de comunicar são diferentes de utilizador para utilizador.

As grandes empresas compram estes programas à Google ou à Facebook (são caros) e apresentam aos clientes, na internet, um “assistente automático de atendimento”. Segundo o Diário de Notícias estes assistentes têm hoje, por parte dos consumidores, mais aceitação que o diálogo de voz com um assistente de Call Center. Quem havia de dizer que até os empregos nos Call Centers estavam ameaçados pelas tecnologias informáticas !…

“Bots” foram utilizados por empresas de marketing contratadas para influenciar os eleitores americanos a votarem em Donald Trump, mas também em Hillary Clinton, não sejamos ingénuos.

Funciona assim:

Um “bot” percorre as redes sociais (Face Boock, ou no Twitter, ou no Instagram) à procura de utilizadores “interessantes” por terem usado certas palavras-chave ou conjuntos delas como “vou votar” ou “Hillary” ou “imigrantes + México” ou “Coreia do Norte + nuclear” ou “Síria + Russos + USArmy”. Cada vez que encontra um utilizador interessante guardam o seu endereço numa base de dados. Serão as suas “vítimas” no futuro.

Ao mesmo tempo, outro “bot”, percorre todas as intervenções de cada um dos elementos da referida base de dados e constrói o seu perfil (simpatizante do Obama, ou do Trump, ou do Putin, ecologista, homossexual, etc.), isto é, enriquece a ficha de cada utilizador com as informações do seu perfil.

O staf da empresa de marketing atrás referido faz uma análise estatística dos perfis e toma decisões de como atuar para influenciar o sentido de voto desses potenciais eleitores. Pela positiva ou pela negativa, criando notícias verdadeiras ou falsas. As notícias falsas, depreciativas e ou insultuosas são, porém, as mais apetecíveis porque, em média os seres humanos são muito mais influenciáveis por escândalo que por notícias elogiosas.

Por exemplo, o staf que apoia a eleição de Trump, cria a notícia falsa “essa gaja está com cancro, disse o médico que a observou no Central Hospital of Massachusetts na semana passada” e manda distribuir pelos elementos da base de dados que têm perfil de quem desejam votar na Clinton.

Outro exemplo, o staf que apoia a eleição de Trump, cria a notícia falsa “Trump, se for eleito, não vai deixar que entre nem mais um emigrante ilegal no país”, e manda distribuir pelos elementos da base de dados que mostraram receio da invasão de emigrantes ilegais.

Foi assim que apareceram as “fake news” no discurso de Trump, referindo-se claro está, às notícias veiculadas contra si. Foi assim que apareceu o boato, que até pode ser verdadeiro, de que tinha sido a Rússia a apoiar a eleição de Trump. Basta que uma empresa de marketing político ao serviço da campanha de Trump tenha recorrido aos conhecimentos técnicos de uma congénere russa para que este boato tenha algo de verdadeiro…

Portugal, é um país pobre em recursos a gastar nas campanhas eleitorais, pelo que tenta usar estes métodos usando a “prata da casa” isto é, contrata pessoas habilidosas a lidar com redes sociais que fazem o papel do primeiro “bot” e gravam também uma base de dados, neste caso em Excel, Access, Linux, etc., que contém os endereços e as palavras-chave, depois criam as notícias falsas (ou não) que divulgam da mesma forma que acima foi descrito.

É pobrezinho, mas funciona! e o número de alvos a atingir (utilizadores das redes sociais) é estupidamente menor que o dos EUA ou da União Europeia. À nossa escala, umas cento-e-tal pessoas, por cada empresa de marketing político, fazem a festa!

Mas não pensem que isto é uma desgraça para a Democracia. É que os eleitores, ao constatarem que a maior parte do que lêem e vêem na comunicação social e Internet é mentira, ou é duvidosamente verdade, vão ficar de pé atrás e vão dizer de si para consigo: “Ver para crer, como S. Tomé!”. A Geringonça já pode ter sido um indício desta  nova postura do eleitorado, equivalente a  “Passos Coelho Nunca mais!” ou “Sócrates, volta! estás perdoado!”.

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