Notre Dame foi um incêndio do carvalho!

 

carvalhoNão me interprete mal quem está a ler o que escrevo! Não se trata de uma falta de educação ou de um insulto à esplêndida catedral que eu tive o privilégio de conhecer nos meus tenros 20 anos de idade.

É que este incêndio pôs a descoberto, para leigos como eu, o facto de grande parte deste edifício ser em madeira de carvalho, a madeira mais nobre e mais utilizada na construção de edifícios nobres na idade média (Século V ao século XV) – A primeira versão desta catedral foi construída no século XIII.

A construção de salas grandes só era possível com vigas de carvalho, por se tratar de uma das poucas árvores que têm troncos retilíneos e altamente resistentes, além de serem muito dificilmente atacados pelo caruncho. Nos palácios da nobreza e do clero abastados, as grandes salas de baile ou de reuniões tinham teto feito com traves mestras de carvalho ou de outras árvores de grande porte.

A reconstrução de Notre Dame só é possível recorrendo a essa grande e nobre árvore.

Os galeões que faziam o transporte de cargas das colónias inglesas, holandesas, espanholas, necessitavam de grandes superfícies de velas que só se obtêm com mastros altíssimos geralmente em madeira de carvalho, mastros que não podiam ser emendados para não perderem resistência.

No cimo do mastro está o cesto de gávea, onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. É o local do navio aonde o balanço se faz sentir com maior intensidade, provocando vertigens e enjoos. Era usado como prisão para castigar os marinheiros condenados. Outra forma dos os castigar era amarrá-los à base dos mastros, ao ar livres, durante as intempéries.

veleiro cacilhas

Parte do que digo aqui pode ser confirmado in loco no veleiro Fernando II e Glória – na figura – que está em exposição ao público na doca seca de Cacilhas, ao lado do submarino Barracuda, o tal que Raul Solnado imortalizou quando disse: mas não flutua!.

Assim se criou a expressão entre marinheiros;  se não te portares bem vais pró carvalho, que degenerou mais tarde no conhecido vocábulo do norte de Portugal; Caralho.

Não pretendo com isto negar que este vocábulo esteja conotado com órgão sexual masculino;  “verga” ou “pau” (em francês, verge), pois são demasiado evidentes as semelhanças…

Portanto pode dizer-se com alguma propriedade e algum respeito, que o incêndio de Notre Dame foi um incêndio do caralho

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