Solimani – a estória contada por mim

Eu conto esta estória assim:

solimani

Os militares sunitas que ficaram no desemprego depois da morte de Sadam Hussein, encetaram um movimento de retomada do poder em 2007, logo a seguir à morte do ditador, que era sunita, e que tinha preenchido os principais lugares de poder no Iraque por homens sunitas.

Assim nasceu o autodenominado Estado Islâmico (EI). Geograficamente começou por ser um conjunto de manchas à volta de cidades habitadas por gente sunita. Essas manchas territoriais expandiram-se para a zona da Síria, que estava em guerra civil desde 2011, iniciada quando das primaveras árabes, e confiscaram poços de petróleo, bancos, e outros equipamentos que necessitavam para se financiar.

Entretanto os EUA instalaram-se militarmente no Iraque e promoveram aí a subida ao poder de um governo eleito democraticamente. Assim aconteceu. No governo assim formado refletiu aproximadamente as percentagens de sunitas e xiitas que habitam o Iraque. Ao contrário do regime de Sadam, esse governo tinha mais xiitas que sunitas.

O Irão prosseguia as iniciativas para expandir a sua influência política e religiosa na região. Manobrou, e conseguiu que as contradições no seio do governo iraquiano se saldassem num desentendimento grave. O governo demitiu-se e aquele que o substituiu já não incorporou elementos sunitas. A revolta dos sunitas nas ruas foi enorme, sucedendo-se bombas em locais públicos que matarem muitos xiitas e não só.

A principal forma que o Irão encontrou para expandir a sua influência no Iraque foi a de armar e financiar milícias xiitas de homens iraquianos. É aqui que surge Qassem Soleimani a dirigir essas milícias. Trata-se de um general iraniano (Persa) que se distinguiu na guerra Irão – Iraque (1980-88) como grande estratega (tinha 61 anos de idade quando morreu).

Entretanto deu-se um êxodo grande de sunitas da Arábia Saudita para os locais controlados pelo EI, eram homens e mulheres descontentes com a monarquia saudita e que viam com bons olhos a reconstituição do Grande Califado sunita, sob a forma de República Islâmica (e não monarquia), aonde imperasse a lei da sharia, em toda antiga região do Mediterrâneo.

A Arábia Saudita sentiu-se ameaçada, e seus aliados Norte Americanos também. Lançaram então uma cruzada contra o EI. Fizeram aliança com os curdos e com as milícia xiitas iraquianas. O comandante que mais se distinguiu nesta reação ao EI foi precisamente o General Qassem Soleimani. A partir daí foi considerado um “santo islâmico”, e era adorado tanto no Irão como no Iraque (pelos xiitas iranianos e iraquianos).

Portanto este general é iraniano e lutou ao lado dos EUA contra o EI (!). Vejam aqui…

Entretanto aproximou-se o dia das eleições nos EUA. O staff de Donald Trump percebeu que a popularidade dele estava a baixar quando só faltam nove meses para as eleições. Era necessário criar um facto bombástico que elevasse Donald Trump à categoria de herói (como aconteceu com Obama e Bin Laden). Deste vez a vítima foi Qassem Soleimani!!!

Os amigos fartaram-se de o avisar que não era seguro surfar nas redes sociais dos americanos…

Por agora, a Leste, nada de novo! Tudo continuará na mesma… Com um herói assim, quem se atreve a votar noutro homem para presidente?

 

Uns dias depois da morte deste homem, o Irão retalia, mas avisa primeiro, para ninguém se aleijar. Lança 12 misseis contra duas bases militares iraquianas, aonde estavam também uns soldados americanos a dar formação… Não provocou mortes nem feridos, mas classificou o ato como “Grande Vingança”.

Ah! e, para além dos mísseis também abateram um avião comercial com destino à Turquia, cheio de passageiros, entre os quais o expião ou mais expiões que eles queriam matar. Talvez aquele ou aqueles que organizaram a morte de Solimani. Esta sim, FOI A GRANDE VINGANÇA.

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