Nascer & Morrer

bebé e velho

A mediatização que se está a fazer dos projetos de lei sobre a despenalização da eutanásia, obriga-nos, mesmo que não queiramos, a pensar nestes dois momentos da vida de todas pessoas, homens e mulheres. E animais também, mas isso é outra conversa…

O que sentirá um bebé no ato de nascer? o que sentirá uma pessoa quando está a morrer? (na hora da morte – amen).

À luz da neuro ciência nós somos máquinas em toda a acessão da palavra “máquina”. Tudo o que se passa em nós, enquanto seres vivos, é regulado e tem origem em enzimas, correntes elétricas, hormonas sintetizadas nas glândulas endócrinas e noutras, etc.

Por outras palavras, um ser vivo não é mais que um corpo de matéria orgânica e mineral, animado por contextos físico-químicos  que se sucedem, regulados por um programa informático – o ADN. Na Bíblia chamam a esse contexto “sopro de vida”.

Se assim for, é natural que o bebé tenha fortes sensações quando está a nascer. Pois quando estava dentro da barriga da mãe, grande parte das suas funções vitais ainda não tinham condições para entrar em funcionamento. Mal comparado seria como um automóvel acabado de sair da linha de montagem que ainda nunca teve o motor a trabalhar, nem o ar condicionado ligado, nem o limpa-vidros a funcionar…

O bebé já nasce com o coração a bater e o sangue a circular, mas ainda não sentiu a sensação da luz a estimular o nervo ótico, nem a sensação do ar a entrar e sair dos pulmões, nem sequer a sensação de comida na boca a solicitar que seja salivada e engolida. Até a sensação de prazer parece só ter quando, logo a seguir ao nascimento, o bebé faz xixi. Que alívio!

E na hora da morte?

Uma coisa sabemos nós; “o sono é a antecâmara da morte”. Lugar esse que permite apreciarmos o que se está a passar, a morte, como se fosse um sonho; agora nem sinto o coração, e já não consigo abrir os olhos, nem levantar um braço. Que sonho tão estranho!

É muito provável que, quem tem a sorte de sair deste mundo passando antes pela antecâmara “o sono”, tenha morte mais tranquila e menos dolorosa do que se for “empurrado” para fora desta vida por uma morte rápida, fulminante; um desastre violento ou um suicídio à bala ou “à corda”. Mas mesmo nestes casos haverá uma antecâmara: o estado de coma.

Uma coisa é certa; se estamos em grande sofrimento físico e ou psicológico, a morte chega muito mais de vagar, multiplicando por mil o sofrimento sentido, à semelhança da sensação que temos quando o autocarro “nunca mais” chega. Cada minuto que passa parece meia-hora. Parece e é! nestas coisas a subjetividade é que conta. O sentir é que conta. É legítimo desejarmos acelerar a “coisa”.

Acelerar sim, mas que não sejam outros a matar-me, como já escrevi aqui   e aqui.

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