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Greves cirúrgicas é o que está a dar…

inem ambulância

Os motoristas dos camiões que abastecem os postos de combustível a retalho e os aeroportos, e os hospitais, entraram em greve. Menos de dois dias depois, as filas para abastecer viaturas particulares já se faziam sentir, e os aviões iam parar com falta de combustível se não fosse a requisição civil.

A greve foi convocada por um sindicato que foi criado há seis meses e tem 800 filiados… um pequeno número de profissionais, tem poder para paralisar o país. Faz lembrar a recente greve dos enfermeiros.

Estamos ganhando pouco, dizem os motoristas, só queremos um aumento salarial de 100%, isto é, mais de 1.200€/mês de salário base. Os patrões dizem que, em média, estes motoristas “levam para casa” 1.420,00€/mês líquidos. Provavelmente ambos falam verdade. É que nas empresas transportadoras é hábito pagar “por fora”, em numerário, ajudas de custo e horas extra (sejam verdadeiras ou fictícias), defraudando as Finanças e a Segurança Social.

Esta forma habilidosa de remunerar os motoristas que agora foi assumida abertamente por alguns grevistas entrevistados em Aveiras de Cima, passa a ser do conhecimento público e, portanto, também das autoridades tributárias. Certamente vão ser tomadas medidas de fiscalização que obriguem os patrões a “levar à folha” todas essas prestações complementares de remuneração. Quem não vai gostar disso vão ser os camionistas que não transportam matérias perigosas, pois a fiscalização quando nasce é para toda a classe!

No Diário de Notícias vem assim.

Hoje, depois de 3 dias completos de greve chegaram a este acordo.

“Bots” – o admirável Mundo Novo!

bots

“Bot” (abreviatura de “robot”) é um meme que designa programas informáticos com características de diálogo inteligente com humanos, em ambiente “chat”. São vendidos pelas grandes empresas de software para fazer aquilo que os colaboradores de “Call Centers” fazem hoje.

Conceitos de inteligência artificial fazem com que as respostas do programa às solicitações do utilizador sejam muito semelhantes à que um humano faria se estivesse no lugar da máquina. Por exemplo, no decorrer da conversa são capazes de se lembrar o que o utilizador disse mais atrás e descobrir contradições, ou sugerir novo rumo à conversa. São capazes de perceber se o utilizador é homem ou mulher e se é jovem ou idoso, porque os discursos e a forma de comunicar são diferentes de utilizador para utilizador.

As grandes empresas compram estes programas à Google ou à Facebook (são caros) e apresentam aos clientes, na internet, um “assistente automático de atendimento”. Segundo o Diário de Notícias estes assistentes têm hoje, por parte dos consumidores, mais aceitação que o diálogo de voz com um assistente de Call Center. Quem havia de dizer que até os empregos nos Call Centers estavam ameaçados pelas tecnologias informáticas !…

“Bots” foram utilizados por empresas de marketing contratadas para influenciar os eleitores americanos a votarem em Donald Trump, mas também em Hillary Clinton, não sejamos ingénuos.

Funciona assim:

Um “bot” percorre as redes sociais (Face Boock, ou no Twitter, ou no Instagram) à procura de utilizadores “interessantes” por terem usado certas palavras-chave ou conjuntos delas como “vou votar” ou “Hillary” ou “imigrantes + México” ou “Coreia do Norte + nuclear” ou “Síria + Russos + USArmy”. Cada vez que encontra um utilizador interessante guardam o seu endereço numa base de dados. Serão as suas “vítimas” no futuro.

Ao mesmo tempo, outro “bot”, percorre todas as intervenções de cada um dos elementos da referida base de dados e constrói o seu perfil (simpatizante do Obama, ou do Trump, ou do Putin, ecologista, homossexual, etc.), isto é, enriquece a ficha de cada utilizador com as informações do seu perfil.

O staf da empresa de marketing atrás referido faz uma análise estatística dos perfis e toma decisões de como atuar para influenciar o sentido de voto desses potenciais eleitores. Pela positiva ou pela negativa, criando notícias verdadeiras ou falsas. As notícias falsas, depreciativas e ou insultuosas são, porém, as mais apetecíveis porque, em média os seres humanos são muito mais influenciáveis por escândalo que por notícias elogiosas.

Por exemplo, o staf que apoia a eleição de Trump, cria a notícia falsa “essa gaja está com cancro, disse o médico que a observou no Central Hospital of Massachusetts na semana passada” e manda distribuir pelos elementos da base de dados que têm perfil de quem desejam votar na Clinton.

Outro exemplo, o staf que apoia a eleição de Trump, cria a notícia falsa “Trump, se for eleito, não vai deixar que entre nem mais um emigrante ilegal no país”, e manda distribuir pelos elementos da base de dados que mostraram receio da invasão de emigrantes ilegais.

Foi assim que apareceram as “fake news” no discurso de Trump, referindo-se claro está, às notícias veiculadas contra si. Foi assim que apareceu o boato, que até pode ser verdadeiro, de que tinha sido a Rússia a apoiar a eleição de Trump. Basta que uma empresa de marketing político ao serviço da campanha de Trump tenha recorrido aos conhecimentos técnicos de uma congénere russa para que este boato tenha algo de verdadeiro…

Portugal, é um país pobre em recursos a gastar nas campanhas eleitorais, pelo que tenta usar estes métodos usando a “prata da casa” isto é, contrata pessoas habilidosas a lidar com redes sociais que fazem o papel do primeiro “bot” e gravam também uma base de dados, neste caso em Excel, Access, Linux, etc., que contém os endereços e as palavras-chave, depois criam as notícias falsas (ou não) que divulgam da mesma forma que acima foi descrito.

É pobrezinho, mas funciona! e o número de alvos a atingir (utilizadores das redes sociais) é estupidamente menor que o dos EUA ou da União Europeia. À nossa escala, umas cento-e-tal pessoas, por cada empresa de marketing político, fazem a festa!

Mas não pensem que isto é uma desgraça para a Democracia. É que os eleitores, ao constatarem que a maior parte do que lêem e vêem na comunicação social e Internet é mentira, ou é duvidosamente verdade, vão ficar de pé atrás e vão dizer de si para consigo: “Ver para crer, como S. Tomé!”. A Geringonça já pode ter sido um indício desta  nova postura do eleitorado, equivalente a  “Passos Coelho Nunca mais!” ou “Sócrates, volta! estás perdoado!”.

Incêndios e eucaliptos

eucaliptosÀ medida que se aproxima a “época dos fogos”, as máquinas dos bombeiros, os aviões, os helicópteros, afinam-se e lubrificam-se. Este ano promete ! Quase não choveu desde o  verão passado…

Também os meios de comunicação preparam as câmaras e os microfones.

Era bom que os jornalistas se lembrassem da maior experiência de combate aos fogos florestais registada em Portugal, e a divulgassem:

A 31 de março de 1989 o povo de  Valpaços invadiu uma quinta no vale do Lila para arrancar os 200 hectares de eucalipto que a Soporcel tinha plantado na região.

Até hoje, nem mais um incêndio florestal nestes campos de Valpaços…

 

A família em cargos políticos

local de emprego

Os partidos da direita  rasgam as vestes furiosos porque os partidos no Poder colocam familiares em cargos por si controlados. Virgens impolutas! quando foram eles a mandar, nunca usaram tais práticas! por decoro! por pudor!

Pois eu, que tive 3 empregos durante a minha vida ativa, um como funcionário público num ministério (12 anos), outro numa empresa pública (4 anos) e outro numa empresa privada (20 anos), em todos esses sítios constatei haver familiares deste ou daquele colaboradores.

As pessoas que já estão empregadas e sabem que é necessário recrutar mais gente, é natural que influenciem o Departamento de Pessoal a admitir amigos, ou conhecidos, ou familiares que sabem poder atuar como seus aliados dentro das organizações. Isto não tem nada de mal. Os próprios patrões facilitam este tipo de recrutamento, pois ele conduz a cadeias de responsabilidade que se auto-regulam nas funções que desempenham.

Não tem nada a ver com “tachos”. Esse assunto é noutro capítulo.

Se o meu primo a quem eu arranjei emprego na empresa em que trabalho se portar mal, sou eu o primeiro a chamar a atenção para que corrija o comportamento (relações inter pessoais, assiduidade, produtividade, etc.).